Tuesday, March 9, 2010

Arsenal - Porto (Post original de Renato Mendes)

E quando eu pensava ter visto o pior Porto da época contra o Sporting, eis que os azuis e brancos conseguem repetir a performance do jogo de Alvalade, claro está, com números mais expressivos.

O Porto teria na Champions League, muito provavelmente, a maior motivação para o que resta desta época, mas tal não se veio a comprovar, por diversos motivos. Uma equipa que se queira motivar, não pode entrar desde o 1º minuto de jogo toda recuada cá atrás. Jesualdo já devia saber e ter aprendido a lição noutras ocasiões na mesma prova, pois provas para isso não faltam. Quando entrou destemido contra o Manchester, viu-se aquilo que os portistas foram capazes. Quando entrou cagão contra o Schalke e outros, viu-se aquilo que os portistas não foram capazes. É certo que a equipa do Porto é diferente (não digo mais fraca, apenas diferente), mas pior que isso, é a mentalidade que é diferente. Não existe mais aquele espírito guerreiro e aquele carisma que foram a imagem de marca dos dragões nos últimos anos a nível interno e externo.

Jesualdo não é um líder carismático, muito longe disso. Na sua altura era o Lucho e o Lisandro que faziam desta equipa uma equipa "à Porto"! Contagiavam os outros. Hoje em dia, e mais uma vez no jogo de hoje, os supostos líderes do Porto andaram escondidos em campo. Os verdadeiros símbolos vêem-se nas más alturas e é por isso que não consigo considerar o Bruno Alves e o Raul Meireles como uns símbolos do clube. Têm mais fama que proveito! Querem ir embora? O Lucho e o Lisandro também, mas enquanto vestiram aquele símbolo ao peito, deram sempre tudo em campo. Diferenças de... mentalidade.

Para além do nível mental e psicológico que influenciaram negativamente a equipa do Porto, devemos acrescentar o nível táctico que apresentaram. Mais parecia que o Porto não sabia e não tinha estudado o seu adversário de hoje. Por norma, as equipas quando se vêem sem o seu principal craque, tendem a transcender-se em campo e foi isso que o Arsenal fez esta noite, sem Fabregas. Teria sido mais díficil para o Porto caso ele tivesse jogado? Não! Com Fabregas em campo, o Arsenal não iria ser mais fraco, mas o Porto teria mais "informações" disponíveis para tentar manietar os londrinos. Sem Fabregas em campo, a equipa tornou-se mais imprevísivel, dificultando as marcações ao meio-campo portista. Ora subia o Diaby, ora o Song, ora o Rosicky. Acredito que sem o Fabregas o Arsenal não jogue de uma forma mais espectacular, mas revela um maior dinamismo no seu sector mais forte que serve bem o ataque e consegue proteger a sua defensiva muito frágil.

Para além do bloco defensivo demasiado recuado e com a 2ª linha da equipa muito afastada da 3ª, deixando ao abandono o trio atacante portista composto por Falcao (incansável), Varela (lutador) e Hulk (inconsequente, individualista e uma visão de jogo inexistente, como se viu num lance em que podia ter dado a um colega ao lado quando ainda estava 2-0), a colocação de Nuno André Coelho numa posição estranha para ele num jogo desta importância é um autêntico bilhete de suicídio de uma equipa que iria defrontar um meio-campo poderoso. O meio-campo portista não recuperava bolas (via jogar) e, consequentemente, não conseguia lançar contra-ataques como provavelmente seria a intenção de Jesualdo. As bolas paradas foi um autêntico martírio para a defesa azul e branca, valendo-lhes um Helton que, apesar dos 5 golos sofridos, evitou um resultado mais desnivelado.

Gostaria ainda de referir o Fucile, especificamente. Foi a par do Jesualdo, o pior portista na noite de hoje. O Arshavin fez o que quis dele! É mais um dos muitos casos onde o factor psicológico influencia e muito o rendimento de um atleta.

O Porto sai sem brilho desta fase da prova. É justo dizer que esta eliminatória veio na pior altura possível para a equipa portuguesa (não tinham estofo mental para aguentar um jogo desta intensidade e importância) e na melhor altura possível para o Arsenal (que este fim de semana voltaram à luta pelo título). A confiança e o estado anímico de ambas as equipas encontram-se em pólos opostos e isso foi notório na noite de hoje.

Hoje estiveram presentes 14 jogadores do Porto fisicamente no Emirates Stadium, mas os seu espíritos não chegaram a entrar no estádio. Talvez estes tenham ido fazer uma vigília para que o seu regresso seja permitido.



Post original publicado no fórum PrimeiraLiga.

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