A passagem de Jesualdo Ferreira é recheada de sucessos. Mais que os títulos conquistados, o professor conseguiu sempre regenerar uma equipa que época após época perdeu valiosos activos no defeso, obrigando-o a um trabalho mais duro e intenso do que aquilo que possa parecer.
Esta época as coisas não correram da maneira desejada. Os reforços deixaram muito a desejar e as saídas foram fatais para o clube. Isso aconteceu nas épocas anteriores, mas o factor chave é o desgaste. Vencer não significa que algo ou alguém não se desgaste e foi exactamente isso o que aconteceu a Jesualdo. Ele próprio parece desgastado, contagiando todo o resto da equipa, que também me parece estar cada vez mais afastada do seu professor.
Tal como os jogadores, também os treinadores chegam a uma altura que sentem que já fizeram o seu trabalho no clube e deve ser esse o sentimento que assola no espírito de Jesualdo. A sua única motivação para esta temporada era conquistar o tetra, daí ele ter aceite continuar mais duas épocas no Dragão. Agora que esse objectivo está cada vez mais longe, a sua motivação diminuiu e o desgaste emocional aumentou. Não arranja soluções para cativar ou motivar a equipa, pois ele próprio não consegue fazer isso a si próprio. Os problemas que as equipas apresentam em campo, são maioritariamente devido a problemas psicológicos e o FC Porto é mais um caso bem evidente este ano. Não há mística, carisma, etc., como havia nas épocas passadas. Não há ninguém em campo com capacidade ou disposição para ser o treinador em campo. À falta de isto tudo em campo, o treinador, desesperado, começou a apontar baterias para o que se passava fora dele, tentando, de certa forma, desculpabilizar as fracas prestações que a sua equipa apresentava. Acredito que nem ele acreditava que esse era o principal factor para uma época abaixo das expectativas, mas tinha de fazer o papel dele, para continuar nas boas graças do público do Dragão. Claro que isso não mudou nada dentro de campo, mas Jesualdo deu sempre o peito às balas, e é isso que um treinador tem e deve fazer quando vê que a equipa não está bem.
Jesualdo deveria ter saído no final da última temporada e caso saia no fim desta, podemos dizer que, à imagem de Paulo Bento, sai com 1 ano de atraso. Não sairá pela porta pequena, mas sim por uma porta menos grande.
Com muitos anos de futebol, Jesualdo aprendeu uma grande lição e provou que podemos estar sempre a aprender: não se deve continuar um ciclo que já estava acabado.
Para candidatos à sua sucessão, Paulo Bento seria uma óptima contratação. Com os meios que o Porto pode oferecer, ao contrário do Sporting, teria tudo para dar certo. Domingos também seria uma excelente escolha: conhece bem a mística do clube e é isso que está exactamente a faltar no Dragão.
Post original publicado no PrimeiraLiga.com.
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