Confesso que não é com muita vontade que irei tecer o meu comentário como habitualmente faço em relação aos jogos do Braga. Não porque considere isto perder tempo, mas sim porque este empate soube-me a derrota, e por isso fiquei transtornado e sem vontade de fazer nada no resto do fim-de-semana.
Deste jogo podem tirar-se muitas ilações:
- Meio-campo (quem dera a muitos clubes o terem - é um facto) com Hugo Viana, Luís Aguiar e Mossoró, simplesmente não funciona e já toda a gente percebeu isso menos o Domingos. Quando assim acontece alguém fica descentralizado no terreno de jogo e não desenvolve uma performance positiva. O Hugo Viana está com um enorme desgaste físico e uns furos abaixo do que sabe e gosta realmente de fazer, por isso, um jogo no banco para descansar não fazia mal nenhum uma vez que temos quem colmate a sua ausência.
- Substituições tardias: A partir dos 20 minutos de jogo sensivelmente deu para perceber que com a ausência do Paulo César o ataque do Bragaestava a meio-gás. Era necessário velocidade pelas alas e com o Hugo Viana mais descaído para o lado esquerdo pautava imenso o jogo em vez de o prosseguir velozmente. Com 2 médios ofensivos algo lentos não era possível contrair contra-ataques que estimulassem lances de perigo para a defesa Sadina e daí ser necessário a inclusão de Matheus e Rentería mesmo antes do apito final dos 45 minutos, situação que só aconteceu a meio da 2ª parte. Além disso, as substituições estão a tornar-se muito previsíveis e com o Hugo Viana quebrado fisicamente, tirar o Mossoró que não tanto interiorizado no jogo imprime uma velocidade estonteante, é impensável (a não ser por lesão).
- Meyong: Está completamente fora do contexto ofensivo do Braga. Não segurou uma única bola; não criou espaços e mexia-se lentamente. O invés acontece quando o Rentería entra em campo, pois apesar de não ser um matador-nato sabe perfeitamente baralhar a muralha defensiva e gerar estragos.
Mais uma vez não estava confiante e quiçá talvez essa falta de confiança minha seja uma má premonição (aconteceu o mesmo em quase todos os jogos em que o Braga perdeu pontos, menos contra a Naval 1º de Maio). Quem num jogo não investe com os trunfos que tem e é algo limitado a subir no terreno não merece vencer - a juntar a isto a falta de oportunidades criadas.
Não fizemos um mau jogo. Até gerimos bem a posse de bola, mas faltou algo mais... algo que nos permitisse sair do Bonfim com 3 pontos na bagagem.
Em contrapartida o Vitória de Setúbal não foi um osso fácil de roer (não quebrou) e como também necessitava desesperadamente de pontuar para fugir aos lugares de despromoção, fez por isso nos minutos iniciais e nunca se inferiorizou aos forasteiros, apesar de algum anti-jogo perto do término do encontro, o que é perfeitamente normal e aceitável face à vontade urgente de conquistar pelo menos um ponto.
Se eu posso ficar chateado, mal humorado, mal disposto com este resultado? Sim obviamente. Os sentimentos feriram e foi um palpitar anormal do meu coração, fruto de um simples jogo de futebol.
Se eu podia exigir mais a esta formação? Para quem há uns anos atrás lutava ano após ano pela não despromoção à 2ª divisão do futebol Português e contentava-se com 1 pontinho em redutos aparentemente fáceis, não, não posso. Seria injusto, cruel, inconsciente e mau perdedor. OBraga cresceu, é um facto. Mas é um crescimento sustentado (felizmente) e por isso os frutos não são colhidos tão rápido como se pensa. É preciso que cresçam, amadureçam e só depois são dados a provar.
Se com este empate o sonho extinguiu-se? Enquanto o Sporting Clube de Braga existir, haverá sempre esperança. Esperança essa, seja na luta pela permanência; luta pelo pontinho; luta pelos três pontos; luta pelo 4º lugar; luta pelo pódio; luta pelo 1º lugar e luta contra todos os que o quiserem derrubar.
Post original publicado no fórum PrimeiraLiga.com.
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